Nome:
Local: Refugio das Caravelas, Paraty - RJ, Brazil

O Veleiro CHAMPAGNE é um sloop Cal de 30´ano 1986. Esta comigo desde 1999 e atualmente esta apoitado na Marina Refúgio das Caravelas em Paraty. Somente a partir de 2002 há registros das viagens na internet. Antes desta passagem pela Região de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande, houveram passagens por Ilha Bela e Ubatuba, explorando-se todas estas regiões. Tenho estado no barco 6 vezes por ano em periodos de 12 a 20 dias sempre subindo em direção ao Nordeste, sem pressa e sem muito planejamento. Este site, mais do que um meio de divulgação, é principalmente um seguro arquivo pessoal. Uma curiosidade: moro em Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso e centro geodésico da America do Sul, portanto estou em um dos pontos mais distantes do mar de todo o continente. Bem vindo a bordo, bons ventos e boa navegada. Fernando Quaresma

sexta-feira, abril 26, 2002

Segundo Registro de Viagem

De 10 a 26 de abril de 2002, estive de volta ao Champagne e fiz uma viagem de sonho a Ilha Grande. Foi uma ótima viagem e embora eu não priorize ir sozinho, não há problema nenhum estar só e já estou acostumado, tem até la suas vantagens. Fica só aquela sensação de desperdício em não ter dividido tudo isso com mais pessoas.

Tudo correu muito bem, os dias se passaram muito bem ritimados e embora tivesse todo o tempo do mundo, vivendo embarcado nunca ha ociosidade. Lá pelo 10º dia, estava tudo dando tão certo que até pensei ”Isto aqui ta igual a calmaria que antecede a tempestade, vai dar alguma merda”, bobagem minha, coisas do ser humano, tudo seguiu muito bem. O clima ajudou e muito, só choveu um dia de manhã e uma noite, chuva alias bem vinda porque recolhi agua doce e o Champa ficou limpinho. As temperaturas ficaram entre 19 e 32º, perfeito.

O Champagne foi o companheirão de sempre, e agora com motor e baterias novos ele ta forte e valente. O problema mais sério foi o vazamento, mas tirei de letra. Explorei muitas trilhas na Ilha, tomei muito banho em rios e fiz excelentes esnorqueis, a viagem toda esta descrita em detalhes no diario de bordo logo abaixo.

DIÁRIO DE BORDO

1º dia / Cuiabá-Paraty / Chegada ao barco

Como sempre, a ida de Cuiabá a Paraty já é uma travessia. Sai de Cuiaba no voo das 14:15 cheguei em Congonhas as 18:00, daí um taxi até a estação do metro. Do metro até até a rodoviária e pegando o onibus das 21:30 cheguei em Paraty as 3 da manha, tudo isso carregando uma enorme mochila de 20KG cheia de roupas, equipamentos e peças para o barco. Daí desentoquei o bote e cheguei no veleiro as 3:30 da madruga para dormir um justo sono, não digo que é o sono dos justos porque teria pela frente mais 16 dias de puro descanso e prazer.

2º dia / Paraty

Dia da chegada é dia de trampo, felizmente os grandes problemas de motor e parte elétrica que eu sempre tinha que encarar no ano passado foram resolvidos e tudo fica muito, mas muito mais fácil. Consegui acordar lá pelas 10hs com o sol batendo na cara. Fiz as arrumações de praxe e nenhum marinheiro apareceu na marina para ajudar. Daí fui de coletivo para Pty fazer as compras e tomar umas. Pretendia zarpar no dia seguinte mas a ressaca não dixou. Fiz a compras que foram entregues na marina no dia seguinte e segui para o bar Coupê. Bacana chegar lá e o copeiro sorrir pra mim e fazer o sinal de 3 dedos de colarinho, lembrando da minha preferencia mesmo fazendo quase dois meses que eu não aparecia. Daí tomei, um, dois, tres e por ai foi. Mas houve um detalhe perverso nisto: fazia mais de 10 dias que eu não bebia porque estava tratando de “vou falar bem rapido – hemorroidas”. A primeira a gente nunca esquece, e acho que os remédios enfraqueceram o meu figado porque nem bebi tanto e fiquei numa ressaca daquelas de provar a existência de Deus porque você sabe que apesar daquele estado você não vai morrer dali a 10 minutos. Foi mal, mas antes de dormir, estava completamente feliz e ainda fiquei no barco ouvindo musica da melhor qualidade no maior volume e dançando como um bom bêbado.

3º dia / Paraty-Engenho

Nooossa, “por onde andaria a minha alma? Teria se afogada em um mar de chopp?” Passei algumas orientações para o marinheiro e fiquei tentando fazer alguma coisa com uma baita dor de cabeça: pus as compras no barco, arrumei o gelo e teria tempo de zarpar la pelas 11:00 chegando na Ilha Grande no final da tarde, mas no estado em que eu estava com certeza iria marear, alem do mais a tradição náutica diz que Sexta feira não é mesmo dia de se fazer ao Mar. Então resolvi sair dali para a praia do Engenho, há apenas 30 min de Paraty. O Engenho é um ótimo local para conversar com alma e tentar traze-la de volta, claro prometendo que “nunca mais na vida coloco uma gota de chopp na boca”. Nesta noite fiz a navegação para a trajeto Pty/Ilha Grande, pelo menos 5 hs de mar.

4º Dia / Engenho – Ilha Grande (ilha da Longa e Abraão)

Que bom, acordei bem, de alma resgatada. Comi bem, preparei comidinhas e zarpei 9hs rumo a Ilha Grande. Mar liso, aragem, e la fui eu muito tranquilo rumo a IG, mas no meio do caminho, o piloto automático que já vinha meio bobo parou de vez, timoneei e em 4 horas ancorei para almoçar na Ilha da Longa que é quase uma península de tão próxima que é da Ilha Grande. Fiz um rango e como era Sábado, resolvi seguir para a Vila do Abraão, a “Capital” da ilha onde daria para desembarcar e passear um pouco. Foram mais duas horas de mar e consegui velejar uns 40min na entrada da enseada do Abraão. Ancorar no Abraão não é facil. Devido a quantidade barcos em poita, fica difícil ancorar em algum espaço que haja um angulo de giro confiável, mas o local é bem abrigado de quase todos os ventos. Dormi um pouco e desembarquei. A vila é um barato e tem de tudo, desde hippies descalços que parecem que sairam do woodstock, até os mauricinhos vestindo botinhas Timberland novinhas compradas em lojas de shopping, passando pelos caiçaras com estilo surfista, misturados a gringos de todas espécies: argentinos quebrados, europeus “rossos” comportados com guia na mão e etc. A vila tem o charme parecido ao de Ilha Bela mas é muito mais vibrante. Tem lojinhas, algumas vendas, bares de todo o tipo e para todos os bolsos, muitas pousadas e alguns campings. Na ilha não é permitido carros nem motos, daí um clima de tranquilidade com ruas muito estreitas e silenciosas. O local mais movimentado durante o dia é o ancoradouro, um pier de uns 100mts onde atracam barcos que fazem a travessia para o continente e escunas que fazem passeios. A noite o ponto é a pracinha de frente rodeada de bares onde rola uma boa musica ao vivo tomando-se um chopp um pouco mal tirado. Nesta noite conheci um pessoal de SP (um casal mais duas mulheres) que me visitaram na manha seguinte.

5º dia / Abraão - Praia da Crena

Pulei cedo e fiquei no barco curtindo junto com as visitas (o casal não veio) aquele Domingo sem compromisso. La pelas 14hs sai para fazer as trilhas próximas que, segundo uma revista que eu tinha eram fáceis. Eram fáceis mesmo e muito interessantes. Em um percurso de +- 3Km se passa por uma cachoeira belíssima; pelas ruínas de um aqueduto construído na época do império; pelo Lazareto, local onde passavam quarentena estrangeiros suspeitos de portarem doenças contagiosas que desembarcavam no RJ e que posteriormente foi presidio político na época de Getúlio Vargas; e por algumas praias com um visual belíssimo do mar, do continente e da própria vila. Esta caminhada me animou para as outras que eu pretendia fazer. Na volta fiquei curtindo a movimentação dos barcos e das pessoas rumo ao continente, num ambiente náutico/humano dos mais autênticos. Já anoitecendo zarpei para a praia da Crena no extremo esquerdo da enseada do Abraão que segundo o Guia Náutico era um bom abrigo.

6º dia / Crena-Palmas

Como ontem cheguei a noite, não tinha noção do local. A Crena é um lugar lindo, pequeno, muito bem abrigado e com uma agua transparente. Na prainha de uns 200m uma escuna propositadamente encalhada com uma pequena casa ao fundo formam um visual incrível. Haviam mais 6 veleiros ancorados, 5 de bandeira estrangeira. Zarpei rumo a Palmas motorando em um mar liso completamente sem vento. Palmas é um local muito bem abrigado composto de duas pequenas praias separados por uma costeira (encosta de pedras) de uns 100 mts. De um lado um hotel e um pequeno rio, do outro dois botecos e a saída de uma trilha de +- 2Km para a outro lado da ilha rumo a praia de Lopes Mendes, considerada uma das 10 praias mais bonitas do Brasil pelo 4 rodas. Desembarquei e comi um bom pastel com camarão no bar do Sérgio e encerrei o dia instalando uma luminária nova na cozinha do barco.

7º dia / Palmas – Lopes Mendes - Saco do Céu – Crena

Sai cedo seguindo a trilha rumo a Lopes Mendes. Que lugar lindo. Uma praia redonda de uns 3km voltada para o mar aberto com uma grande faixa de areia com grandes ondas e grandes pedras que avançam mar a dentro nas duas extremidades da orla. Alem disso, bem em frente a este cenário tem a Ilha do Jorge Grego, divino. Fiquei um tempão ali naquele local totalmente deserto. Quando voltei almocei e zarpei rumo ao Saco do Céu numa velejada sinuosa: sai de palmas num través forçado, contornei uma ponta e fui abrindo, abrindo tendo que chegar no SC numa empopada somente com a mestra numa velocidade de 4 nós depois de duas horas. O SC tem este nome porque é um local tão abrigado que em noite sem lua as estrelas refletem na agua duplicando o céu. È uma baia cercada de um vegetação vasta em uma encosta muito íngreme, um ambiente mágico. Fiquei por ali dando bordos velejando bem devagarinho e resolvi voltar para o Abraão porque estava acabando o gelo e eu precisava ligar para Cuiabá. Daí peguei um contra vento e, em uns 5 bordos cheguei triunfante de volta ao Abraão. Cheguei mortinho na praia da Crena e dormi um pesado sono, havia velejado mais de 4 horas, ufa! Neste dia, a minha maquina fotográfica digital deu pau, e todas as fotos que eu havia tirado ate agora se perderam. Uma pena, haviam umas fotos lindas. As fotos que eu tirei foram feitas em uma maquina fotográfica descartável que eu comprei no Abraão.

8º dia / Crena – Abraão - Ilha de Macacos

Zarpei cedo para a vila e apoitei para comprar gelo e ligar para Cuiabá. Daí segui para a Ilha de Macacos. Na verdade são três ilhas que se posicionam bem perto da IG formando um abrigo muito bom. A Ilha dos Macacos é separada da IG apenas por algumas pedras onde flui a agua de uma baia para outra e por causa disto existem ai um habitat de peixes de muitas espécies e variados tamanhos. Fiz um esnorquel e fiquei maravilhado, realmente impressionante , tanto que a noite cai n´agua de novo fazer um esnorquel noturno.

9º dia / Ilha de Macacos – Freguesia de Santana – Bar do Lelé (Ubatubinha)

Cedinho não resisti, fiz mais um snorkel e sai. Parei em uma prainha que eu não lembro o nome e segui para freguesia de Santana que é bem pertinho. Uma praia de agua muito clara e mansa de onde sai uma trilha para uma outra praia muito bem cuidada onde tem uma igreja datada de 1863 cravada no meio do mato: muito interessante. Na ponta desta praia que deve ter uns 500mts tem algumas arvores enormes onde eu dei uma paradinha para descansar e acabei dormindo um soninho. Eu tinha almoçado um peixão e tava assim numa preguiça... . Voltei e segui para o Bar do Lelé na enseada do Sitio do Forte numa velejada de mais de uma hora. Ancorei já era quase noite, contrariando o que eu considero ideal, principalmente em um local onde eu nunca estive e ainda por cima sozinho. Sempre planejo ancorar no máximo as 16hs por uma questão de segurança e para curtir o final de tarde, para mim a melhor parte do dia. Das 16hs até anoitecer, com sol ou não o visual e as nuances da paisagem são sempre incríveis. Além do mais tenho aquela sensação do dia vencido e tudo que sobra é só prazer: a cervejinha, cozinhar um bom jantar, banhos de mar e de agua doce, roupa limpa, um bom som, um bom livro, ficar sentado no convés só olhando tudo em volta, fazer alguma coisa no barco, planejar o dia seguinte, escrever o diário de bordo que para azar de vocês se transforma neste texto, etc.

10º dia / Lele-Bananal + praias -Lele

O Bar do Lele e Cleusinha, que são ótimos, é o ponto “oficial” dos velejadores na Ilha. É em uma praia muito bonita em um cantinho muito abrigado. O bar é bem transado e tem uns “pastel” (bem paulista) de camarão que são uma delicia. Tem tb uma bica muito forte com uma agua doce bem fria onde se toma banho e abastece o barco com galões. Pedindo, o Lelé fornece até poita, mas não precisa. O Lelé é uma figura: cabelão loiro e comprido tipo surfista, brinco na orelha, magro mas com um barrigão igual ao meu, e alem de tudo é hiperativo. Em um final de tarde fiquei observando ele: em uma hora ele andou a cavalo, saiu num barco não sei para onde e voltou no maior pau, varreu a praia, passeou com os cachorros e ainda atendeu uns clientes ”Eu cansei, vou tomar uma”. Neste dia sai para uma caminhada das mais interessantes. Passei pela ordem em praias com nomes deliciosos: Ubatubinha, Tapera, Sitio do Forte, Marinheiro, Maguaraquissaba, Passaterra, Matariz (aqui tomei um banho em um rio de agua bem fria), Jaconema e Bananal. Entre uma praia e outra sempre se sobe e desce uns morros contornando a encosta por dentro da mata cheia de samambaias, bromelias, grandes arvores, macacos, pequenos riachos de pedras e muitos pássaros. Quando me dei conta, já estava muito cansado e já tinha andado mais de 8KM. E a volta? Cheguei num pescador em uma traineirinha e com um bom papo e mais 15 reais ele me levou de volta , que alivio. Antes de embarcar até tomamos uma num butequinho chamado Toca do Morcego onde ouvi algumas historias de nativos com mais de 60 anos que nunca moraram em outro local, uma viagem. Como era Sexta feira chegaram outros veleiros no Lelé para passar o final de semana e rolou um sarauzinho com violão e sax. Que vida...!

11º dia / Lelé - Ilha da Longa

Passei o sábado tomando banhos e tomando umas com o pessoal dos outros barcos. Haviam 13 veleiros ancorados, dois de bandeira francesa maravilhosos e também 2 escunas particulares. No final de tarde zarpei para dormir na Ilha da Longa, local da primeira parada para almoçar na chegada da Ilha. O esnorquel aqui é quase tão bom como em Macacos. A noite entrou um vento E que agitou o local, tive que manobrar o barco e amarra-lo numa poita de um barco-bar que vem pra ca durante o dia. Para garantir ainda joguei o ferro com o bote, daí fiquei tranquilo. Cansei e consegui dormir bem mesmo com o barco balançando a noite inteira. Nesta noite mesmo com o barco balançando desmontei e desentupi a bomba da privada. Eca!!. Senti tb um cheiro de Diesel mas achei que o balanço houvesse derrubado um pouco do liquido dos tambores.

12º dia / Ilha da Longa – Angra – Ilha de Macacos – Lelé

Foi um Domingo looongo, cansativo, produtivo e divertido. Cessou o E e amanheceu bem calmo. Fui checar o cheiro de diesel e havia um vazamento em uma mangueira que ia do tanque ao motor. Troquei a mangueira mas havia perdido mais de 10lts de diesel, então teria que comprar mais combustivel para a volta. Entre a IG e a cidade de Angra dos Reis, no continente, existe um largo canal e a cidade fica há umas 6mn em uma reta do local que eu estava ancorado, então segui para lá. Entrou um bom vento e segui na vela até a baia de Angra em mais de uma hora. Motorei ate o posto, abasteci bem rápido de diesel e gelo e voltei para aproveitar o vento. Daí regulei o barco para velejar em um traves folgado e fui arribando sem destino algum. Que delicia é velejar por velejar numa boa velocidade, sem dar bordos, ouvindo uma boa musica e tomando uma bem gelada. Em 2hs acabei chegando de volta a Ilha dos Macacos que estava bem agitada por ser Domingo. Voltei no contra vento dando bordos rumo ao Lelé. Passei bem perto dos barcos de mergulho que estavam em atividade no Naufrágio do navio Pinguino. Daí a adriça da genoa enrolou no estai. Há mais de dois anos atras, ainda em Ilha Bela, icei o Bebeto no mastro e ele amarrou um cabinho no rolamento da genoa e no estai que só agora quebrou. Então enrolei com muito esforço a Genoa na mão e segui no motor até o Lele onde preparei uma amarração com cabos fortes em duas manilhas de engate. Daí icei um guri que o Lelé me indicou e ele só teve o trabalho de engatar as manilhas no rolamento e no brandal. Ficou bom. Desembarquei para comer uns pasteizinhos com a alma lavada: havia velejado mais de 5 horas num vento franco e favorito, que delicia.

13º dia / Lele – Proveta – Praia Vermelha - Aracatiba - Saco da Longa.

Bem, já tinha passado por quase toda a face de sotavento da IG e de enseada habitada faltava mesmo só Proveta, um lugar não muito abrigado e meio longe de onde eu estava, + -10mn, mas tb o local da ilha mais próximo de Paraty. Achei que até poderia dormir por la para zarpar de volta no dia seguinte. Fui e foi quase uma roubada, valeu e muito pela experiência e por eu ter enfrentado um mar que eu há muito não enfrentava. A ponta do Acaia é um extremo abrigado, a partir dali é praticamente um mar aberto, e, como a ilha bloqueia o movimento da agua com o vento vindo de encontro, a agua vira um inferno, tanto que a costeira é alta, totalmente sem vegetação num visual furioso mas lindíssimo. Fui no motor, pq sozinho era impossível enfrentar aquele contravento, segui com o barco caturrando um bocado com ondas que por vezes lavavam o convés. Cheguei em Proveta e não me atrevi a ancorar pq os barcos de pesca que estavam em poitas balançavam e muito. Valeu só pelo registro. Voltei surfando as ondas e quando peguei as aguas abrigadas de sotavento parei na praia vermelha e Araçatiba. Daí rumei para o Saco da Longa. O SL é um local bem abrigado e um tanto apertado pq tem bastante barcos, mas é um local que eu adoro. Já estive aqui outras vezes e sempre me sinto muito bem, como que voltasse para casa. É uma pequena vila onde em um lado tem um ancoradouro onde ficam os barcos de pesca e no outro extremo próximo a um pequeno atracadouro ficam outros barcos, ancorei por ali. No SL chega um rio descendo a encosta que é muito ingreme, por isso bem perto da praia tem uma deliciosa cachoeira onde tomei banho e lavei algumas roupas. Havia navegado mais de 20MN em quase 6 horas de mar. Muito em paz planejei a navegação de volta e dormi um pesado sono.

14º dia / Saco da Longa – Engenho

Dia de voltar. Ajeitei tudo que estava solto no barco, fiz uma rápida navegação, comi bem e preparei algumas coisas para enfrentar no mínimo 5 horas de mar. Estava um dia lindo, cintilante. Zarpei por volta das 10hs e fui motorando tranquilo a 5.3 nós. Cruzei com alguns barcos de pesca e um enorme petroleiro. No meio do caminho, quase no traves da laje dos meros entrou um ventinho. Comecei velejando a uns 3´ e o vento foi firmando para um vento de alheta firme me levando a 5,5´, nesta toada cheguei bem perto da ilha do mantimento que era próximo do meu destino. O vento fracassou mas mesmo assim continuei velejando ali a uns 2´ até a enseada da praia do Engenho. Deliciosa velejada de umas 3 hs. Ancorei la pelas 16hs e curti um fim de tarde lindo. O Engenho é uma ancoragem bem próxima de Paraty e muito gostosa: tem duas praias pequenas. Uma é habitada e outra que tem um rio de agua bem fria é totalmente deserta e é aqui que eu fico. Eu tinha combinado comigo que a passagem de volta em Paraty era para trabalhar, então comecei neste dia mesmo. Reinstalei a bomba pressurizada com um botão de lig/des e o barco voltou a ter banho de chuveiro. Instalei uma torneira na pia do banheiro no sistema da bomba, um luxo. Arrumei uma luminaria que estava apagada, fui dormir 1h da manha, ufa. Acabou a cerveja, a carne, os legumes, etc. Jantei uma sopa de macarrão, batatas, atum e as ultimas fatias de pão. Tava na hora de ir embora mesmo, até a agua de tomar, coisa que eu sou psico e sempre carrego muito já estava acabando.

15º dia / 16º dia / 17º dia / Engenho – Paraty / Paraty – São Bernardo (casa da mãe) / Casa da Mãe – Cuiabá Aqui já dou a viagem por encerrada porque o grande barato mesmo foi a ida a Ilha Grande. No dia que passei em Pty trabalhei bastante no barco e criei um sistema de banho quente para o chuveiro genial. Claro que a agua tem que ser esquentada no fogão, mas ficou bem pratico faltando apenas algumas conexões que eu vou levar na próxima. Entre outras coisas, tb refiz todo o sistema da bomba de porão e coloquei um automático e as chaves novinhas. Ficou ótimo, o Champagne merece. Sempre bom a passagem na Mãe, passamos um dia inteirinho juntos só conversando e comendo; uma delicia. Tb revi amigos e embarquei para Cuiabá. De estranho mesmo em ir para SBC é o contraste dos lugares calmos que eu estive e a loucura de SP, numa curta distancia de menos de 400KM. Surreal.

Se voce teve saco para ler tudo, obrigado, é uma boa prova de amizade ou pelo menos de grande interesse náutico.

Um abraço

Bons ventos

Fernando Quaresma