Nome:
Local: Refugio das Caravelas, Paraty - RJ, Brazil

O Veleiro CHAMPAGNE é um sloop Cal de 30´ano 1986. Esta comigo desde 1999 e atualmente esta apoitado na Marina Refúgio das Caravelas em Paraty. Somente a partir de 2002 há registros das viagens na internet. Antes desta passagem pela Região de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande, houveram passagens por Ilha Bela e Ubatuba, explorando-se todas estas regiões. Tenho estado no barco 6 vezes por ano em periodos de 12 a 20 dias sempre subindo em direção ao Nordeste, sem pressa e sem muito planejamento. Este site, mais do que um meio de divulgação, é principalmente um seguro arquivo pessoal. Uma curiosidade: moro em Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso e centro geodésico da America do Sul, portanto estou em um dos pontos mais distantes do mar de todo o continente. Bem vindo a bordo, bons ventos e boa navegada. Fernando Quaresma

sexta-feira, julho 26, 2002

Viagem 3

Estive de volta ao Champagne entre 03 e 14 de Julho de 2002, e novamente retornei a Ilha Grande. A novidade com a descoberta de novas ancoragens e novos locais como fiz na viagem anterior é uma sensação insubstituível, mas a curtição e a tranqüilidade do retorno como fiz agora também é muito boa, inclusive porque segui para a Ilha Grande sem muitos planos e sem muitas expectativas. Estava a fim mesmo de ficar na boa, mesmo porque tiveram alguns dias de chuva e frio que me forçaram a ficar bem relax no aconchego do barco, cheguei a ficar 3 dias sem desembarcar. Teve ainda um problema no alternador do barco que forçou a minha permanência na vila do Abraão por mais tempo. Encontrei uns amigos velejadores por la e fizemos algumas coisas juntos. Cozinhei legal, tomei as minhas cervas a uma média de 5 latinhas por dia, li A Casa dos Budas Ditosos (uma perca de tempo) e curti muito a coletanea de 25 CDs que o amigo Adir Sodré selecionou e emprestou para mim. O destaque da viagem foi para a velejada de retorno que esta descrita em detalhes no 9º dia do diario de bordo, alem da noite infernal de vento muito forte no Abraao. Resumindo foi uma ótima viagem: os dias passaram-se muito bem ritimados, arrumei algumas coisas no barco e dormi muito bem embrulhado em um cobertor nas noites frias que fizeram.

DIARIO DE BORDO

1º- 2º e 3º dias

Sem grandes expectativas, segui para a IG no mesmo dia da minha chegada a PTY. Cheguei as 3:00hs, acordei as 10hs, fui para Pty fazer as compras e zarpei por volta das 14hs sabendo que teria de navegar a noite em um trecho da viagem porque pretendia chegar a vila do Abraão onde fui informado que haveria um festival de musica. Mar Calmo, navegada tranquila de 6hs sem uma merreca de vento para velejar. Notei na chegada que o alternador não estava funcionando e resolvi pensar nisso na Segunda feira porque era Sexta-feira e, no Sabado e Domingo não daria para fazer nada. De qualquer forma as baterias estavam carregadas e deu para passar bem nestes dias. Muita gente na Vila e assisti na Sexta dia da chegada ao show de Oswaldo Montenegro (meio chatinho) e Sá, Rodrix e Guarabira (sensacional) no Sábado. O tempo esteve bom no sab e Domingo de manha então fiquei ali pela vila curtindo as atividades artisticas do festival. No final da tarde de Dom. entrou uma frentinha com um vento muito forte e firme, tive de sair do local apertado que estava (com muitas escunas e barcos de pesca) e ancorei mais para fora tendo que ficar de plantão. O vento uivava nos estais e o barco tremia todo. Lá pelas 2 da manhã já com muito sono, plotei posições no GPS e programei o despertador para me acordar a cada 40 minutos. O dia amanheceu e o vento foi cessar somente la pelas 10hs da manhã, uma noite infernal, opinião compartilhada por todos os velejadores ancorados ali.

4º dia

La fui eu atras de um eletricista e achei o Paulão, muito competente e com uns 150kg de simpatia, me informou que eu teria que levar o alternador para Angra. Resolvi fazer isso no outro dia, Terça-feira. Encontrei o Pepe, argentino do Veleiro Samantha que esta subindo rumo ao Caribe e depois Mediterraneo num sensacional Hunter 40´, e tomamos umas bem geladas juntos no poço do Champa.

5º dia

Peguei a a barcaça que segue para Angra todos os dia as 10:30hs e retorna as 15:30hs e demora 1:20hs no trajeto. Deu tudo certo: comprei as peças pedidas pelo Paulão, um auto-eletrico deu uma geral no alternador e ainda deu tempo de andar pelas lojas nauticas da cidade. No retorno encontrei o Pepe e a Claudia e combinamos de fazer umas trilhas no dia seguinte. Na chegada o Paulão instalou um novo sistema de ignição da partida e do alternador que ficou muito bom. Terminamos os serviço la pelas 22:00hs e então segui para a praia da Crena, bem pertinho, mais abrigada, tranquila e bonita que minha ancoragem no Abraão, afinal já estava ali há 4 dias por causa do alternador.
6º dia

Amanheceu frio e o tempo bem fechado. Eu, o Pepe e a Claudia seguimos a trilha passando por uma piscina natural com uma agua muito fria, aquaduto e Lazareto; locais que eu já havia estado na primeira viagem. No retorno a Vila, tomamos umas cervejas e comemos um bom peixe. A mare estava alta e quando fomos embarcar no bote do Pepe, uma onda bateu no costado e o Pepe foi pra agua com as pernas para cima e eu e a Claudia tomamos um banho na agua que embarcou. Tudo isso na frente da vila com uma grande platéia assistindo a tudo. Um tremendo mico. Rimos muito com a situação e com as palavras do Pepe: “Una vergonha!! Dos capitanes em um bote e hacemos esto, no se puede”: Resultado: entrou agua no motor do bote e tivemos que remar quase 2 km todos molhados e rindo sem parar. Noite muuuito fria.

7º dia

O dia amanheceu com uma garoa forte e bem frio. Fui ao Samantha despedir do Pepe e trocar endereços de e-mails, talvez eu tripule o Samantha na regata Recife-Noronha. Segui para Ubatubinha no bar do Lelé. Bem agasalhado segui a motor embaixo da garoa até o traves do Bananal quando entrou um vento contra e em tres ou quarto bordos cheguei no Lelé numa velejada bem molhada fria e gostosa. Lembrei de uma definição em lingua inglesa sobre velejar: “Velejar é: estando-se molhado e com muito frio, sentindo-se miseravel, seguir muito devagar e com muito esforço a lugar nenhum”. La estava o hiperativo Lelé podando uma enorme arvore, que disposição!!!. Na chegada ele me oferceu uma poita. Achei otimo, assim durmo mais tranquilo. Choveu forte esta noite e fez muuuito frio, dentro do Champa tava bem aconchegante, e eu tomando hora um capuccino, hora um chazinho com bolacha: uma delicia.

8º dia

Limpei e organizei o barco, e instalei uma bomba de pé no banheiro para a pia e para o banho de AGUA QUENTE, um luxo. Ficou bem legal e quase joguei a bomba elétrica na agua de tanta raiva que ela já me fez passar. Finalmente a tarde a chuva parou, abriu um olhinho de sol e eu sai para andar um pouco pela praia e conversar com o Lelé, afinal já haviam 3 dias que eu não saia do barco. Foi um passeio gostoso, esta enseada é linda e muito tranquila. Fiquei observando alguns rebocadores manobrando uma plataforma petrolífera bem ao longe no meio do canal, uma visão estranha, é como ver uma cidade sendo transportada. Deitei cedo porque o dia seguinte era o dia da volta, e o tempo continuava fechado e com possibilidade de vento, o que acabou se confirmando.

9º dia

Um dia inesquecível. Amanheceu bem frio. Comi muito bem, separei comidinhas e agua, fiz a navegação, separei cartas nauticas, pus pilhas no VHF portatil, me agasalhei bem e etc. Zarpei as 8hs e depois de ½ hora no motor peguei o vento no canal entre a Ilha e o continente. Alias um contra vento que eu decidi encarar. Com um mar encarneirado com rajadas fortes consegui uma boa orça com uma velocidade de 5´ com algumas ondas volta e meia lavando o conves do Champa. Fui aterrando por umas 14 MN e quando fiquei bem proximo a uns baixios, dei o primeiro bordo rumo ao mar tendo pouco progresso e andando de lado nas fortes ondas que batiam no costado. Próximo a Ilha dos Meros, dei o 2º bordo rumo a terra. Novamente próximo da costa dei o 3º bordo e comecei pegar um mar mais calmo porque estava entrando na baia de Paraty. Estes 3 bordos no meio da baia foram difíceis, tendo que andar arribado a cada bordo para depois ir regulando as velas com muito esforço. Volta e meia o vento apertava então eu folgava as velas porque o barco adernava muito, com isso perdia orça mas velejava mais seguro, voltando a caçar as velas assim que as rajadas passavam, muito cansativo. Já dentro da baia de Pty, segui uma flotilha de 3 veleiros que atraves do radio descobri que tb seguiam para o Refugio da Caravelas, marina do Champagne. Fizemos uma regatinha e segui acompanhando o Brasília 25 Uluwatoo(?!) do Alexandre, chegamos até a conversar de tão próximos que ficamos. Demos mais 6 bordos até chegar bem perto da Marina e neste trecho pude velejar a todo pano com uma boa orça. Foi uma velejada sensacional chegando as 17:00hs: 10 bordos, 9 horas de muito vento e mar, 4,7´ de média, 39MN percorridas pra cumprir um trajeto de mais ou menos umas 20MN, um contra vento bravo. O barco ficou uma zona. A porta do armario das panelas abriu jogando tudo no chão que estava com agua cheia de óleo do porão que vazou atraves de um buraco de um alto falante que eu havia tirado. Resultado: depois de 9hs de mar, levei quase 2 horas numa faxina já no pier da marina para daí então tomar um banho e poder comer alguma coisa, imagina minha fome. Foi uma velejada radical, fria, cansativa e muito divertida. Apesar de cansado custei a dormir de tanta adrenalina que absorvi durante o dia. A sensação gostosa foi a de encarar com tranqüilidade mas muita prudência uma condição de mar e vento que há alguns anos atras jamais eu encararia, ainda mais sozinho.

10º dia

Dia da volta: arrumações, ônibus das 9.40hs, avião das 18hs em Cumbica, Conexão com 4hs de atraso em Brasília chegando a Cuiabá já de madrugada, comparado ao dia de ontem: moleza. Voltar para casa para poder voltar pro Champa, e voltar pra casa...